segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013 - Ano além da planície proibida


É meu desejo que em 2013 possamos entender a natureza dos obstáculos e superá-los.  Ir além da PLANÍCIE PROIBIDA – reencontrar a Alegria e o Amor que os inimigos ocultos (esses disfarçados de amigos)  insistem em apagar de nossas almas.
Quadro "Além da planície proibida" de Carlos Zemek. Ver: http://www.cazemek.blogspot.com.br/


Ter confiança e coragem para tomar decisões e realizá-las.
Ter firmeza para dizer "não" quando essa palavra é necessária.

Diante de qualquer entrave pensar : "Essa é uma luta para quebrar brinquedo, não é parte da grande preparação”.

E neste mundo de brinquedos, de jogos, de falsidade, de vaidade, no qual parece fundamental mostrar que somos felizes, sempre felizes, de dia e de noite, como se o mundo fosse um parque de diversões e os seres humanos deuses imortais, sempre alegres, sorridentes, sem perguntas e sem respostas, (bonecos alegres e indiferentes ao sofrimento do mundo), vamos ler essa bela página da Bíblia:
TEMPO PARA TUDO 
Tudo neste mundo tem seu tempo;
cada coisa tem sua ocasião.

Há um tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir;

Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar:
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar;

Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar
tempo de guerra e tempo de paz.
Eclesiaste 3, 1-8

FELIZ 2013

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O CEGO (Crônica)


Algumas vezes o Carlinhos  admira a todos com a sua sabedoria. Com seus seis anos e meio já é um filósofo.
Dias atrás Inês falava com dona Marieta, avó do Carlinhos, sobre as dificuldades que enfrentam as pessoas com deficiência visual. Elogiava a coragem de um jovem cego que morava no outro quarteirão.
– Dona Marieta –  disse Inês – eu estava perto da estação central, caminhando para o ponto do biarticulado quando vi o rapaz cego indo para o mesmo lugar. De repente, ele se desorientou e bateu a bengala contra a parede de um prédio. Aproximei-me dele e perguntei aonde ia. Ele respondeu que queria pegar o biarticulado. Eu falei que também iria para lá e perguntei se podia pegá-lo pelo braço para guiá-lo. O rapaz disse que sim. Fomos até a Estação Central.  Ele agradeceu, mas disse que podia continuar sozinho.
Inês ficou perto, observando-o. O rapaz cego permaneceu perto da porta. Ninguém deu o lugar. Ele estava de pé assegurando-se do corrimão. O ônibus, lotado. De repente, vira a cabeça para a pessoa da direita e pergunta: “ O próximo ponto é  Praça do Japão? – Sim, reponde o homem, é o próximo ponto.
O cego desceu e o ônibus continuou seu caminho.
– Dona Marieta, - confessou Inês - eu fiquei admirada de como um cego consegue ir onde quer...  ele não vê mas conseguiu ir onde queria.
– Claro, ele era cego não era burro... – retrucou o Carlinhos.
– Eu sei, Carlinhos! – exclamou Inês rindo - mas deve ser difícil chegar a um lugar que a gente não pode enxergar...
– Sim, meditou o Carlinhos, o cego chegou onde queria porque o importante não é ver, senhora Inês, o importante é saber...  saber aonde a gente quer chegar.
Nesse momento, Inês pensou que  Carlinhos tinha descoberto por si mesmo uma regra importante para a vida. Para chegar algum lugar é preciso saber qual é nosso objetivo. Pensou que  Carlinhos era um sábio, um pequeno sábio que gostava brincar com aviãozinhos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

NATAL É ABORDADO EM MINICONTOS


Minicontos é uma modalidade literária considerada recente. O miniconto mais famoso é do escritor guatemalteco Augusto Monterroso (1921- 2003): "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”. Nesta época de blogues, Twitter,  e-mail e redes sociais, as pessoas estão escrevendo mais e, muitas vezes, encrencando-se ao dar as opiniões diretamente, sem os filtros das boas maneiras. Esta é a época do texto curto e contundente. Por isso, alguns consideram que o miniconto chegou na hora certa.

Como exprimir os pensamentos em poucas palavras? Como criar personagens, enredos, tempo, espaço, narrador, em um conto com menos de 100 palavras. Esse foi o desafio que apresentei aos meus alunos da oficina de criação literário que oriento no Solar do Rosário. A pergunta foi ondulando até outros ouvidos atentos.  O resultado é o livro “Natal, viagens e fantasias” publicado pela editora Virtual Books. O jornalista Marcelo Spalding, especialista na modalidade miniconto, escreveu o prefácio, e o poeta e contista Alvaro Posselt, a introdução.

O livro contem minicontos de autores com estilos diferentes. O fio condutor é o Natal. A visão que cada um tem,  as coisas interessantes, engraçadas ou bizarras que podem acontecer no Natal. E não vai pensar o leitor que estará diante de autores inexperientes, não! É verdade que para alguns é a primeira publicação, mas entre os contistas estão Fernando Botto, que há anos se dedica às letras e  já tem livros de contos e de crônicas publicados, Alexandra Barcellos, escritora de livros infantis e Silvia Maria de Araújo, socióloga com trabalhos excelentes na área pedagógica, quem ganhou em 2001, como coautora, o prêmio Jabuti na categoria Livro Didático. Destacamos também a participação de Willians Mendonça, engenheiro floresta e apaixonado pela literatura,  que neste ano conquistou o segundo lugar no 5º Concurso  para servidores públicos “Servir com Arte”.


A reunião dos contos faz o leitor pensar nas faces diferentes do Natal. É o Natal alegre, o Natal reflexivo, o Natal consumista, o Natal em família, o Natal no campo e na cidade, na casa e numa viagem inusitada, nos sorrisos e nas lembranças. Porque Natal quer dizer nascimento, e nascer é um momento mágico que acontece simbolicamente cada vez que decidimos deixar o passado e renovar as energias.  

Participaram do livro que tive a honra de organizar: Alexandra Barcellos: Ana Paula Lemos Pinheiros, Eliziane Nicolao Lobo Pacheco, Fernando Botto, Luciana Souza, Luiza Guarezi, Susana Arceno Silveira, Silvia Maria de Araújo, Willians R. Mendonça. Contos em parceria: Adriana Menendez e Sonia Andrea Mazza. Nosso escritor convidado foi Rodrigo Domit, ganhador de vários prêmios literários.

O livro será lançado em 12 de dezembro, 19 horas, no SESC Água Verde. No evento também será inaugurada a exposição de quadros “Natal, Viagens e fantasias", com trabalhos em Arte Digital de Carlos Zemek, e trabalhos em óleo, acrílico e aquarela dos artistas: Alexandre de Paula, Carlos Zemek, Célia Dunker, Dirce Polli, Gustavo Cardoso Melo, Ilia Ruiz,  Jeffe Cor, J. Bonatto, Katia Velo, Mercedes Brandão, Neiva Passuello, Sandoval Tibúrcio, Valéria Sípoli, Vavá Diehl,  Jeffe Cor, Rosa Miller.  Esculturas de Regina Tiscoski.  Curadoria: Dirce Polli.


O dramaturgo Jul Leardini realizou a representação de alguns contos do livro.

O livro foi lançado em 12 de dezembro de 2012, 19 horas, no SESC Água Verde, com boa acolhida do público. A sala ficou pequena para tantas pessoas. Para o evento contamos com o apoio de Edilene Guzzoni, produtora cultural do SESC Água Verde.



MADAME BOTOX (Miniconto)



A  voluntaria na creche,  apelidada Madame Botox, entrou na biblioteca.  Generosa, sorria, lia, dava sopa às crianças. Depois solicitava votos para seu marido.
  Título do livro?  – perguntou  Dalma. “ nem botox concerta essa cara de bunda...” pensou.
  Irmãos Grimm.
Dalma procurou-o nas estantes.
  Crianças podem escolher...
Não! Eles são de famílias pobres e ignorantes.
Aqui está .
            A madame pegou o livro. Saiu. Dalma ficou olhando-a pela janela.
  Chateada? – perguntou Tânia.
 Livros deveriam ter espelhos psicológicos, os leitores poderiam enxergar o verdadeiro rosto.
–  Muitos livros têm espelhos, Dalma, mas algumas pessoas não querem se enxergar.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Escândalo no prédio (crônica de Isabel Furini)



As mulheres do prédio estavam reunidas na recepção. Todas falando ao mesmo tempo. Esperavam a síndica. Ela chegou minutos depois. Calmamente perguntou qual era a causa daquela agitação toda.
- O primeiro andar tem um grande terraço... - disse dona Manoela.
- E sempre alguém está tomando sol nesse terraço! - enfatizou Vanessa, que estava sentada com a filha de dois anos no colo.
- Não tem nada de errado tomar sol no terraço. Isso não é proibido - disse a síndica.
- Conte, conte, dona Cidinha - incentivou-a Manoela.
- Mas hoje eu vi... Eu estava olhando pela janela, não estava espionando, não.  Hoje eu estava olhando inocentemente pela janela quando vi... - dona Cidinha cobriu o rosto com as mãos e disse descendo a voz: - Vi um homem nu tomando sol no terraço do primeiro andar.
- Era seu Inácio? - perguntou Rosalba, uma antiga moradora.
- Aquele velho contador aposentado tomando sol nu no terraço? - perguntou a síndica.
- Que horror! - disse gritou Manoela.
- Não! Não era ele, não! Era esse sobrinho, esse jovem alto e moreno, parecido com o Rodrigo Santoro.
- Ahhhh! Uauuuu! E outras exclamações surgiram dos lábios das mulheres.
- Aquele rapaz estava tomando sol nu no terraço? Por favor, dona Cidinha, a próxima vez que isso acontecer, me chame imediatamente - disse a síndica - eu quero tirar algumas fotografias daquele gatão nudista!

Isabel Furini é escritora e palestrante - autora do livro "Eu quero ser escritor - a crônica".

sábado, 24 de novembro de 2012

Minicontos Música e Biblioteca


MÚSICA
 Essa música era insuportável. Todos os dias o novo vizinho incomodava tocando piano. Era um barulho continuo,  monótono. Marilda reclamou com o síndico. Ficou admirada ao saber que o músico era famoso. Procurou o seu nome na internet. Ele já havia dado concertos em Roma, Paris e Berlim. Essa mesma tarde ligou para todas as amigas comentando como é maravilhoso ter um músico tão importante morando no prédio.

BIBLIOTECA

A  voluntaria na creche,  apelidada Madame Botox, entrou na biblioteca.  Generosa, sorria, lia, dava sopa às crianças. Depois solicitava votos para seu marido.
  Título do livro?  – perguntou  Dalma. “ nem botox concerta essa cara de bunda...” pensou.
  Irmãos Grimm.
Dalma procurou-o nas estantes.
  Crianças podem escolher...
Não! Eles são de famílias pobres e ignorantes.
Aqui está .
            A madame pegou o livro. Saiu. Dalma ficou olhando-a pela janela.
  Chateada? – perguntou Tânia.
 Livros deveriam ter espelhos psicológicos, os leitores poderiam enxergar o verdadeiro rosto.
–  Muitos livros têm espelhos, Dalma, mas algumas pessoas não querem se enxergar.

NATAL
Artes plástica, Coral do Thalia e Lançamento de livro de minicontos "Natal, viagens e fantasias", no SESC Água Verde, Curitiba (antigo SESC da Terceira Idade). Será em 12 de dezembro, 19 horas. 
Exposição de arte digital de Carlos Zemek, Esculturas de Regina Tiscoski ,  e exposição de quadros de Alexandre de Paula, Carlos Zemek, Célia Dunker, Chardulo, Dirce Polli, Gustavo Cardoso Melo, Ilia Ruiz,  Jeffe Cor, J. Bonatto, Katia Velo, Mercedes Brandão, Neiva Passuello, Sandoval Tibúrcio, Valéria Sípoli, Vavá Diehl,  Jeffe Cor, Rosa Miller. Curadora Dirce Polli. ENTRADA FRANCA

                                                          


sábado, 27 de outubro de 2012

HISTÓRIA DE ESCRITORES


Escritores! Todo mundo sabe que os escritores gostam de reunir-se. Associações, academias, grupos de leitura, seminários, debates.  Mas, em pouco tempo, descobrem que não suportam os colegas. Afinal, um ego de escritor já preenche qualquer sala por maior que seja. Já muitos egos de escritores na mesma sala tornam o local asfixiante. Alguns egos escorregam nas palavras dos outros. Os outros chutam as costas dos egos que falaram. Os que não falam nada esperam o momento oportuno para jogar o título de seu novo livro na cabeça de qualquer escritor.

O título de seu novo livro na cabeça de qualquer escritor? Perguntarão os que desconhecem a tribo dos escritores. Poucas pessoas alheias a tribos sabem disso. Eu vou fazer uma revelação: os títulos dos livros são seres vivos. Sim. Eles atraem e rejeitam. Jogados na cabeça de um escritor inimigo machucam a subjetividade.  O escritor atingido grita: Ai! Fui atingido por um título desse escritor maluco! Socorro!

Socorro! Grita o escritor machucado, e imediatamente é retirado da sala e considerado bipolar com mania de perseguição.

Mania de perseguição é uma doença traiçoeira. Disse a senhora de óculos. É verdade, disse o velhinho de paletó cinza. Estamos reunidos para falar de nossos livros! Grita o homem de barba. Imediatamente os egos crescem. Qual será o livro escolhido para a ocasião? Será o livro novo livro de papel reciclado?

Papel reciclado? Papel é papel, grita o escritor de camisa azul mexendo o celular. Todos olham para ele. Acanhado, desliga o celular. Temos que fazer livros virtuais, exclama veementemente. E um dos escritores, vestido de terno marrom, muito serio, apoia-o. O futuro é livro na internet, e-book, livro virtual, o nome que vocês desejem. O nome não é importante, o importante é... O homem de terno marrom se cala, olha todo mundo e começa a tossir. Quase disse a verdade. E isso seria tão inconveniente.

Tão inconveniente é dizer a verdade que há alguns meses um escritor fora banido da tribo por dizer a verdade. Dizer a verdade! Ninguém merece! Teria gritado um jovem. A juventude está sempre inovando, disse o escritor de terno marrom e blá, blá, blá. Não revelou que defende o livro virtual porque acaba de criar uma editora virtual. Afinal, livro é produto. E produto é para lucrar. Viva o lucro!

Viva o lucro! Pensa o escritor de terno marrom e olha de ladinho para seu sócio, o homem de gravata vermelha. O homem de gravata vermelha entende o recado. Levanta-se e começa um longo discurso sobre as vantagens do livro virtual. Repete os argumentos. São poucos e precisa repeti-los para fortalecer seu ponto de vista.

Seu ponto de vista parece-me excelente, disse a senhora de blusa amarela.  E aplaude. Todos aplaudem. Entre escritores é comum aplaudir. Afinal, todos gostam de receber aplausos, elogios. Bom, quase todos. Existem poucos exemplares de uma raça em extinção que não gosta de aplausos. Isolados, raramente são entrevistados pela mídia.

Raramente são entrevistados pela mídia. Existe um problema maior que esse para um escritor? Afinal, o mais importante não é escrever bem, mas ser um escritor de sucesso. Sucesso é tão bom. Todo mundo sonha com o sucesso.

Sucesso! Sucesso quer dizer ser o melhor escritor do mundo.  E nunca pergunte. Nunca. Qualquer escritor dirá que você está errado. E é aqui o ponto central de minha história: Quando ao declamar um poema o velhinho de paletó cinza caiu morto, os escritores aproximaram-se dele e escutaram as últimas palavras do velho.  Sou o melhor escritor do mundo!  Afastaram-se. Que ilusão! disse a senhora de blusa amarela. O melhor escritor do mundo? E todos, em silêncio, pensaram a mesma frase:  O melhor escritor do mundo sou eu!

Isabel Furini é escritora e poeta.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Poesia na escola


Poesia!  Ela está voltando com força renovada. Poesia é sinônimo de emoção estética.  É a força da palavra usada para mexer com o emocional humano.
Ela nos leva pelo mundo mágico da imaginação, dos jogos linguísticos, das ideias escritas com rima, com ritmo.

A poesia não é somente fruto do significado, mas também do significante.

E as figuras de estilo são importantíssimas para criar um texto interessante. Um texto que capture o leitor. Atualmente, as figuras de estilo são assunto de estudo em cursos de redação publicitária, de propaganda e de marketing. As figuras de estilo aumentam a expressividade, a emoção do texto.  E todos os poetas queremos escrever e ouvir textos que entusiasmem, com palavras que energizem as ideias.

Geralmente, consideramos três tipos de poemas: lírico, dramático e épico. O lírico possui ritmo e musicalidade e está relacionado à música. É devemos lembrar que as crianças gostam de música, de canto, de declamar poemas, de brincar com palavras e escrever poemas.

Por isso, as aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Confesso que pensei muito nesse assunto ao escrever o livro "O grande poeta – figuras de estilo e poemas divertidos", publicado pela Matrix editora - http://www.matrixeditora.com.br/

O livro "O grande poeta" da Matrix editora é um livro que diverte enquanto ensina como escrever poemas.  As crianças vão aprendendo as figuras de estilo enquanto brincam com as palavras. Crianças gostam do jogo linguístico.   O aprendizado não pode ser rígido nem cansativo. Os alunos necessitam divertir-se, brincar  com palavras e ideias. Podemos dizer que as crianças gostam de poetizar.

Na realidade não ensinamos a escrever poesia, só orientamos. Cada criança terá uma reação diferente. O educador deve respeitar essas diferenças.

É  necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de imagens, de movimento.  A finalidade das aulas de poesia para crianças é despertar o espírito poético. Estimular o gosto pela poesia. Não podemos esperar que todos sejam poetas, mas que apreciem ler poemas, declamar, escrever.

A poesia para crianças pode começar com "jogo de palavras". O educador coloca uma lista de palavras que rimem e solicita que os alunos criem poemas com essas palavras.

Outros estímulos também podem servir para criar poemas. Por exemplo: falar sobre a metáfora e solicitar aos alunos que escrevam metáforas.  Depois  elaborar o poema baseando-se em alguma metáfora. É preciso dar liberdade.

Alguns alunos farão poemas de pequenos de dois versos (dísticos) enquanto outros escreverão poemas longos. O professor deve estimular a produção poética e entender que alguns alunos terão mais capacidade criativa. O trabalho não é julgar os poemas, mas estimular a criação poética.

O livro "O grande poeta" que publiquei pela Matrix editora é um guia para que os pequenos possam entender essa arte maravilhosa, que é a arte poética.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Contato: isabelfurini@hotmail.com

sábado, 6 de outubro de 2012

Resultado do 4º Concurso Poetizar o Mundo


Poema Inspirado no quadro "Um olho no universo"  do artista plástico Carlos Zemek.
Essa obra foi adquirida pela escritora Susana Arceno Silveira, de Curitiba, PR.



1º Lugar: Andressa Barichello - Curitiba, PR, Brasil.

 UNIVERSO EM UM OLHAR

Um olho no universo
Olho de sol
Olhar de lua
Uni-verso imerso
na retina tua.

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Poema inspirado no quadro "A Fronteira do Universo", de Carlos Zemek.


2º Lugar: Renata de Aragão Lopes, de Juiz de Fora, MG. Brasil

ESTRELAS

Espia, que o céu é comprido.
Confia, que o céu não tem fim.
Satélites mostram galáxias.
Quantas estão no camarim?




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Poema inspirado no quadro "A Fronteira do Universo", de Carlos Zemek.






3º Lugar: :    André Luís Soares  - Guarapari, ES, Brasil.

FRONTEIRA DO UNIVERSO

Na fronteira do universo
– lá onde findam os céus –
tem-se o tributo derradeiro:
duas moedas pro barqueiro...
adeus!

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MENÇÕES HONROSAS
Tela do artista plástico Carlos Zemek: "Os Andes e o Mar".





4° Lugar: Zenaide Alós Guimarães Abati - Porto Alegre, RS, Brasil.


É PRECISO


É preciso ser mar

Para entender a saudade

Da onda.


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Inspirado na tela:Em Um Mar Alienígena, de Carlos Zemek



5º Lugar Janaina Santos Barroso - São Bernardo do Campo, SP, Brasil.

PLANCTONS E ESTRELAS

No fundo e escuro desconhecido

Reinam os fugitivos da areia

Estranhos somos nós

Aos olhos dos homens-sereia...



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Tela: As quatro irmãs gêmeas, do artista plástico Carlos Zemek.



6º Lugar: Cleomâncio Inácio Miranda, São Paulo, Brasil.


DANÇA ÀS MARIAS

De nome céu, um berço embala quatro irmãs iguais.

Eis que uma dança, a esmo, alumiando as demais.

Agora mais que companhia, ela é quem guia as três Marias:

Se torna delas mãe e pai.



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Poema inspirado na tela: A Fronteira do Universo




7º Lugar: Rosana Banharoli, Santo André, São Paulo, Brasil.


FIO DE ARIADNE

No Firmamento, estrelas choram vidas.
Enquanto no Sibilino, a temporalidade cósmica dança.
Já,  aqui na Terra, perscruto fronteiras
            a juntar os fragmentos
destes    inícios  que  me     constroem.




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Poema inspirado na tela: A montanha e o mar, do artista plástico Carlos Zemek.


8º Lugar: Tiago Luz - Rio de Janeiro, Brasil.

A Montanha: (a)Mar

Pacíficas, as águas me beijam:
Íntima carícia de quem ama.
E grão por grão, escorre meu coração
No infinito azul desta dama...
Eu, a montanha: um vulcão!


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Poema inspirado na obra do artista plástico Carlos Zemek:




9º Lugar: João Baptista Coelho - Domingos de Rana, Portugal.

RETRATO DE UM PINTOR

Zemek, na pintura, um outro mundo
que nos transporta além da obra artística.
Um conceito novo e bem profundo
da Vida aonde o sonho é mais fecundo
pois ultrapassa, até, a própria mística.


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Inspirado na obra: Formas de Vida, do artista plástico Carlos Zemek




10º Lugar : Sonia Andrea Mazza, Buenos Aires, Argentina.


CRIAÇÃO

Por um lado o caos,
por outro, a harmonia,
e no âmago
como recém nascida
a própria vida

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

BONECA (Miniconto)

Abriu a porta do armário e observou os olhos azuis da boneca de pano esquecida no canto direito. Brincava com ela quando era pequena. Havia guardado para alguma filha, mas nunca teve filhos. Decidiu doar para um orfanato. Refletiu sobre o assunto. Essa noite, chorando, queimou a boneca de pano.


sábado, 29 de setembro de 2012

Gansos selvagens?... (Crônica)




Morava perto do parque de Bacacheri e caminhava diariamente até o parque para aproveitar a água mineral que jorrava por uma torneira. Geralmente era preciso esperar na fila, mas, lamentavelmente, entre a porta e a torneira havia gansos que descansavam ao lado do lago. Eu entrava, tirava a garrafa da sacola de plástico e esses gansos me perseguiam. Falei com uma vizinha e ela disse que os animais sentem as energias negativas, era preciso pensar positivo enquanto caminhava. Eu segui o conselho de minha vizinha, mas não deu resultado. Os gansos me perseguiam. Sempre. Eu corria, e esse bando de palmípedes corria bem perto de meus calcanhares. Um sábado de manhã observei que uma idosa mexia uma sacolinha de plástico entre as mãos fazendo barulho. Os gansos seguiam os passos da mulher e ela lhes dava comida. Semelhante ao sino de Pavlov, o barulho produzido pela sacolinha de plástico anunciava os alimentos.  Os palmípedes não eram agressivos, eles eram inteligentes e haviam associado “barulho de plástico = comida”. A perseguição parou quando comprei uma sacola de pano.
Isabel Furini é escritora e palestrante. 

domingo, 16 de setembro de 2012

CASAMENTO: PARAÍSO OU INFERNO??? (Crônica)


Entraram na sala de aulas de mãos dadas, olhando-se incansavelmente, com olhos sonhadores como um poeta que observa estrelas distantes. Sentaram na última fileira. Ele me dissera, três anos atrás que era casado fazia mais de  20 anos.
Curiosa, fiquei observando-os enquanto ministrava aulas de oratória. Lembravam-me um par de andorinhas que desejavam fazer o ninho. Ora se olhavam carinhosamente, ora ele mordia o dedinho dela, ora ela acariciava o rosto, a barba ou os cabelos curtos do homem. Uma coisa eu sabia, casal antigo não se comporta assim. Até Nero agradeceu a Sêneca por ter-lhe ensinado a arte da retórica, enfatizei enquanto pensava:  Essa não é a esposa dele. Não é, não...
Uma gaúcha, muito minha amiga, sempre diz que um casamento tem quatro fases: Primeiro, é fase da paixão. É o encontro, o descobrimento do outro, o amor, o sexo a qualquer hora e em qualquer lugar. O segundo momento é mais controlado. Demonstrações de afeto e sexo só no quarto, depois que as crianças dormem.

No terceiro momento, sexo só no corredor. Quando ambos se encontram, olham-se com rostos de ódio e um diz para o outro Vai para... Depois vêm o quarto momento, o divórcio. Eu estava na fase do divórcio e meu olhar perspicaz dizia que eles estavam na primeira fase, na fase da paixão.
No horário do descanso, aproximei-me e fiquei falando com o casal. Ele comentou que, dois anos atrás, havia-se separado da esposa e que no sábado completariam seis meses de namoro. Depois, olhando a moça com a paixão de um bêbado diante de uma garrafa de cachaça, acrescentou que essa mesma semana haviam começado o noivado e já estavam planejando morar juntos. Tive que controlar-me para não gritar: "Eu sabia que essa não era a esposa... eu sabia..."  Sorri de maneira educada e os parabenizei, desejando-lhes sorte. Interiormente parabenizei a mim mesma por ser tão certeira em minhas deduções.
Acontece que casamento também tem data de validade e os anos vão passando e o fogo  torna-se cinza... Como comenta Fernanda, uma amiga que é psicóloga, e orienta casais: Com os anos, morre o amor e só fica o apego.  Não falei nada para eles, não queria parecer antipática; afinal o casamento é uma única instituição onde os que estão fora querem entrar e os que estão dentro querem sair.             

Isabel Furini é escritora, palestrante e consultora literária. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A OFENSA (Crônica)


Seu Geraldo voltava para casa depois de um dia de trabalho. Ao chegar à esquina, um carro o fechou. Geraldo colocou o pé no freio, o outro continuou e estacionou na porta da casa do vizinho. Ele sabia que o carro não era do vizinho, e para mostrar seu desgosto pelo fato, estacionou na frente do outro carro, desceu e aproximou-se dele. Não conseguiu ver o motorista pelo vidro escuro, mas assim mesmo gritou: “Palhaço, fechar-me numa rua tranquila como esta, você só pode ser um palhaço. Palhaço mesmo”!

Abriu-se a porta do carro e saíram dois homens  com sapatos enormes, roupas coloridas, narizes redondas de plástico, rostos pintados de branco e perucas azuis. Um deles disse:  “Desculpe-me eu sei que errei, estava nervoso com o horário, mas não precisa me ofender. Ser palhaço é meu ganha-pão e é um trabalho honesto”.

Só nesse momento, Geraldo reparou que havia festa na casa do vizinho. O menino saiu à porta e gritou contente: “Mamãe, chegaram os palhaços, chegaram”!

Geraldo, acanhado, disse: “Bom trabalho, senhores”.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MUDANÇA DE PERSPECTIVA


Em literatura há uma técnica chamada “mudança de perspectiva”. Os personagens falam, ou pensam, ou algo acontece, e o leitor descobre uma nova perspectiva de um assunto. É muito interessante descobrir que isso é simplesmente uma maneira de levar a visão do homem para o universo literário. Muitas vezes nossa perspectiva sobre um assunto muda ao conhecer algum fato, ou descobrimos que sustentávamos uma visão errada sobre uma pessoa.

Lamentavelmente o ser humano não tem raio-x para ver os pensamentos dos outros. Somos facilmente enganados pelas aparências. Um rosto bondoso pode ser na realidade uma máscara para não despertar suspeitas. O sorriso pode esconder raiva ou ressentimento. O olhar doce pode não ser espontâneo, pode ser resultado de algum curso de teatro. A elegância nas palavras, às vezes, nasce da artimanha de seduzir os outros. Além disso, temos os chamados “sintagmas significativos”, ou seja, palavras ou frases que podem ser usadas com a finalidade de manipular os outros.

Em um mundo no qual a imagem impera, nunca sabemos se quando alguém fala de seu passado está revelando uma verdade escondida, ou está criando uma imagem para ser aceito, amado ou aplaudido. Só conseguimos ver a cor da pele, dos olhos, dos cabelos, não conseguimos saber quais são as intenções das pessoas.
E, como nada é tão horrível ao mundo contemporâneo quanto à honestidade, usamos máscaras. Se as coisas continuarem desse jeito, corremos o perigo de chegar em casa depois de uma festa na qual mentimos – desculpem, fomos gentis e dissemos que os doces dos quais não gostamos eram maravilhosos, excelente o livro recém lançado por algum autor que desprezamos em silêncio, além de elogiar o horrível vestido da anfitriã, chegar em casa e caminhar até o espelho para tirar a máscara e descobrir que sob essa máscara há outra. Tirar a segunda máscara e descobrir mais uma... Ao final, quem poderá dizer que conhece o seu rosto autêntico?

Crônica de Isabel Furini publicada no ICNews em maio/12.

sábado, 25 de agosto de 2012

Exposição e livro sobre SILÊNCIOS...


EXPOSIÇÃO: "SILÊNCIOS DO HOMEM E DA NATUREZA"
No evento a poeta premiada Isabel Furini autografará seu livro “,,, E OUTROS SILÊNCIOS”.

Vernissage em 12 de setembro, 18h 30m, no 5º andar do Shopping Estação.

Artistas:
Alexandre Bozza, Ana Serafin, Celia Dunker, Carlos Roberto Ramos Litzinger, Carlos Zemek, Di Magalhaes, Dirce Polli Bittencourt,  Katia Kimieck, Katia Velo, Kim Molinero, Ninon Braga, Regina Ticoski, Rogério Bittencourt, Sandoval Tibúrcio, Vanice Ferreira.

No evento a poeta premiada Isabel Furini autografará seu livro “,,, E OUTROS SILÊNCIOS”.

CURADORIA: Carlos Zemek.


O mundo moderno está dominado pela palavra e pela imagem. É um mundo no qual imperam os sentidos. A palavra constrói e destrói, a imagem seduz ou causa repulsa.  Na internet, na televisão, na mídia em geral, imperam os discursos e as formas. E o mundo globalizado corre, emociona-se, agita-se obedecendo a imagens e palavras.
Para o homem ocidental parece impossível interromper o fluxo do pensamento, o caminho dos sentidos que agitam emoções e ideias, por isso, no conceito do curador Carlos Zemek  a exposição “Silêncios do homem e da natureza”, tem como objetivo convidar para uma pausa na interpretação dos códigos que ligam o ser humano ao mundo. Fazer um silêncio, e perceber outros aspectos da realidade. O silêncio através da arte. O silêncio como pausa que pode criar um impulso para uma nova direção. O silêncio como gesto capaz de realinhar as forças subjetivas que mexem o homem.

Estação Business School - Av. Sete de Setembro, 2775, 5º Andar, Curitiba – Paraná.

No 5º andar, do prédio Shopping Estação.


Os artistas plásticos Vanice Ferreira e Carlos Zemek (autor do quadro "Formas da Vida").

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

SERVIÇO MILITAR (Crônica)



–  Quero que entre no colégio militar, Eduardo. Faça-se homem, rapaz! – gritou o pai. 

No final de semana, Eduardo chegou a casa, acompanhado por um amigo fardado.
– Este é o Pedrão, cadete do Exército – disse, enquanto se esparramava numa poltrona da sala.

O pai ficou feliz de ver que o filho tinha bons amigos e quis saber mais da vida militar.
– Quero que meu filho também entre para o Exército e se faça homem.
– Eu entrei para o serviço militar – falou o rapaz com voz aguda- mas não me fiz homem não, bofe... Na realidade, eu gosto de ser assim, uma mulherzinha corajosa.
– O pai tirou os óculos, desceu o jornal sobre os joelhos... e ficou olhando-o sem compreender.
        – Que... que... que quer dizer?
– O que quero dizer, senhor, é que eu entrei para o Exército porque adoro homens de uniformes, homens fortes... e me considero uma mulher... uma mulher corajosa...  e gosto de ser chamada de Brigitte

Coitado do Sr. Jorge, sempre tão controlado... Perdeu o auto-controle. Irritado, gritou: - Você é uma vergonha para o Exército. 
- Fora de minha casa, rapaz!
– Posso processar o senhor pelo preconceito contra...
– Fora, fora – gritou o Sr. Jorge sem deixar o Pedrão terminar a frase.

Uma hora mais tarde. No bar, em frente à praça, encontraram-se os amigos.
– Aqui está o prometido, disse Eduardo colocando algumas notas sobre a mesa. Obrigado, Pedrão, você inventou uma história e tanto, como tínhamos combinado.

Pedrão sorriu - Essas aulas de teatro já renderam seu fruto. Mereço um Oscar, não mereço? – pergunta, olhando uma moça loira de saia curtinha que entrava rebolando.
   Merece, gritou Eduardo. O velho é preconceituoso. Isso é ruim. Mas o bom é que agora não quer mais mandar-me para o Exército...
Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de "O livro do Escritor".

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CURRÍCULO DE MÃE OU CURRICULUM PROFISSIONAL? (Crônica)


Essa é uma dúvida que carrego há tempo. É algo que chama minha atenção e que me deixa com uma pergunta entre os lábios: Por quê?

Estou me referindo ao fato de ter observado em currículos para livros, palestras, cursos, e outros, que as mulheres misturam os dados pessoais e os dados profissionais. Percebi ao longo dos anos que algumas mulheres colocam frases como: esposa e mãe, ou avó do Dieguinho e da Mariazinha.

Nunca vi um currículo profissional masculino dizendo: sou esposo e pai, ou sou avô do Dieguinho e da Mariazinha. Parece que enquanto os homens se orgulham do fato de serem altamente profissionais, as mulheres querem comover dizendo que são esposas, mães ou avós. Um psicólogo amigo disse-me que isso é manipulação. Um intento de tocar o coração dos outros. Segundo ele, essas mulheres têm medo de não ser suficientemente boas na área escolhida. Escrever no currículo profissional “sou esposa e mãe”, ou “sou avó” seria uma forma de apelo emocional.

Isso me faz lembrar uma tira cômica da Mafalda do cartunista Quino. Susaninha, a amiga esnobe da Mafalda, e outro menino vão começar a jogar xadrez. Susaninha está sentada com uma boneca nos braços, olha para o menino e grita: Você não vai se atrever a derrotar uma mãe, vai?

Na minha opinião, e posso estar errada, se uma mulher coloca no currículo profissional que é esposa e mãe, não acrescenta nenhum dado importante para o trabalho que desempenha (sempre que o trabalho não for cuidar de crianças ou afins). Além disso, sejamos honestos, depois dos 30 anos, o mais comum é que as mulheres sejam esposas e mães, como os homens, esposos e pais. Depois dos 60 anos, o mais comum é que as mulheres sejam avós.

Durante tanto tempo as mulheres lutaram para ter um lugar ao sol. Lutaram e ainda lutam para serem profissionalmente reconhecidas, por que, então, ao escrever um currículo, não respeitar os limites entre a vida familiar e a vida profissional? Essa é uma pergunta que não quer calar.

Isabel Furini é escritora, poeta premiada e palestrante. Autora de “O livro do escritor” da Editora Instituto Memória. Orienta oficina para futuros escritores no Solar do Rosário, fone (41) 3225-6232.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

TANGO – “el gato maula y el mísero ratón”…(crônica)



No sábado, minha amiga Giovanna ligou. Uma amiga dela, da época de faculdade, que morava no interior, estava de visita e podíamos almoçar juntas, ir ao shopping e ao cinema.  Quase ao meio-dia nos encontramos no shopping e a amiga de minha amiga começou pegando “duro” já no início de conversa.

-Você é de Buenos Aires? Eu gostaria tanto de conhecer essa cidade, mas nunca se sabe se um argentino é confiável.

Depois de uma primeira frase pouco simpática, eu sabia que a mulher não era flor que se cheira. Caminhamos pelo shopping e entramos numa loja. A mulher fez piadas grosseiras com a atendente. Disse que precisava ver como a blusa ficava e obrigou-a a experimentá-la sobre a roupa, tudo com muito riso e algazarra, ou seja, fez aquele barraco que curitibano odeia mesmo!

Fomos almoçar e ela implicou com a garçonete, realmente eu nem lembro o porquê, parece que a moça tinha acento gaúcho. Depois perguntou: – Tem vinho argentino? Mas não traga para mim, porque os vinhos de lá são uma porcaria. Olhou-me e inquiriu: – Por que os vinhos chilenos são melhores? Respondi que não sabia, que podia ser o tipo de uva. Ela retrucou: – Na Argentina tudo é ruim, até o solo!

Terminamos de almoçar e entramos no cinema. Por sorte, foram duas horas de filme. Ao sair Giovanna me deu carona. Então veio o assunto da morcela: – Na Argentina comem morcela? – perguntou e eu já sabia que vinha alguma frase agressiva.  Alguns comem, eu gosto da morcela de lá porque é muito bem temperada e fortalece contra anemia. Mexeu-se no banco do carro e quase gritou: – Nheca! Morcela é horrível!
– Você come carne de porco? Come peixe? – perguntei.
- Sim. – respondeu.
- Pois alguns povos não comem porco, e em alguns países africanos não se come peixe, mas é por motivo religioso, e isso deve ser respeitado. Mas você não gosta da morcela porque é simplesmente preconceituosa.

 – Eu, preconceituosa?!!!
  -  Sim, muito preconceituosa!  – gritei com raiva.

Ficou em silêncio. Porfim, silêncio!!! Graças a Deus a matraca calou, pensei.  Ao despedirmos, ela disse que seu sonho é visitar Buenos Aires.

Pensei sobre o porquê da atitude dessa pessoa. Lembrei-me de um tango que diz: “Como juega el gato maula con el mísero ratón”. (Como brinca o gato covarde com o mísero rato). Esse é o princípio do bullying. Só que eu não sou gato, nem sou rato, minha atitude é mais parecida com a de cachorro que rosna. Ao final, penso que não temos por que suportar tanta agressividade disfarçada de diversão. Eu prefiro o lema: Viva e deixe viver, muito bem sintetizado numa dedicatória que li num livro de Leslie Cameron-Bandler: “Agradeço a meus pais que me ensinaram a ficar de pé, sem necessidade de pisar no pé dos outros”.

 * Isabel Furini é escritora e palestrante. Autora de “O livro do Escritor” da editora Instituto Memória.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

NARIGUDO E ESTUPRADOR? (Crônica)


Eu tinha 17 ou 18 anos quando decidi fazer um curso de datilografia – ainda era a época da máquina de escrever. Procurei um lugar perto da minha casa. Ficava a seis quadras e havia que passar por uma fábrica com um longo paredão. O lugar assustava um pouco.

Ao me inscrever a professora disse que tinha poucas máquinas e no momento só tinha livre o horário das 8:00 às 9:00, mas qualquer vaga que abrisse para as 10 ou 11 horas ela a reservaria para mim. Eu aceitei.
Minha rotina de terças e quintas era acordar, tomar banho, um café rápido e correr para o instituto de datilografia. Saia de casa as 7 horas 45m., pois gostava de chegar cedo e pegar a melhor máquina. Era inverno, amanhecia  com o céu de cor cinza escuro. Nesse horário ainda as lojas não haviam aberto e havia poucas pessoas na rua.

Esse fato intranquilizava minha mãe, especialmente porque havia sido noticiado pela televisão que um estuprador que atacava mulheres jovens e bonitas (ele é estuprador, mas não é bobo, tem bom gosto, brincavam as pessoas). Pois bem, qualquer mãe acha os seus filhos bonitos. E a minha não era diferente. 
Os vizinhos só falavam do estuprador, especialmente, porque uma moça de um bairro perto havia sido atacada por ele com uma faca, mas conseguira escapar graças a um casal que estava na rua e correu para ajudá-la. Ela disse que o homem tinha uma parte do rosto coberto  por uma echarpe preta, e era narigudo.
-Cuide-se! Ordenava a minha mãe quando eu saia de casa. - Fique de olho, de vez em quando vire-se para observar se não está sendo seguida por alguém.

Eu caminhava pela rua olhando aos lados, às vezes, virando a cabeça, e se alguém se aproximava atravessava a rua. Até que uma manhã muito escura, o céu cinza ameaçando chuva, eu caminhava atenta ao lado do paredão da fábrica quando vi de supetão  um homem virando a esquina. Ele vinha na minha direção. Percebi imediatamente a echarpe preta cobrindo-lhe a boca. E o nariz enorme!  Meu coração pulou do peito. Minhas pernas tremiam. Olhei para atravessar a rua, mas vinham carros a alta velocidade. Eu fiquei parada sem saber o que fazer. O homem se aproximava rapidamente. Quando estava a poucos passos de mim colocou a mão no bolso do paletó. A imagem de uma faca se formou na minha mente. Soltei um grito e pulei da calçada para a rua ficando ao lado do meio-fio . O homem, calmamente, tirou um lenço do bolso e assou o enorme nariz.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de “O livro do escritor”. Orienta oficinas para pessoas que desejam escrever livros de contos, crônicas e romance no Solar do Rosário (41) 3225-6232.

sábado, 11 de agosto de 2012

PAI “ASSASSINA” LAPTOP DA FILHA (crônica)



NOTÍCIA: Pai de adolescente norte-americana dá nove tiros no laptop dela por 'malcriação' pelo Facebook.


No início do vídeo podemos ver que, além do enorme chapéu, ele está fumando (bom exemplo para os filhos), e tomado de violência porque foi denunciado no Facebook, segundo ele, injustamente, dá nove tiros no laptop. Não duvidamos de que deva ter assustado a moça. Talvez uma advertência velada, a próxima vez vai na tua cabeça, filha. E ainda a maioria das pessoas “curtiu” e aplaudiu esse fato bizarro, essa prepotência do pai, essa violência desnecessária.
Talvez a menina mentiu ao dizer que foi obrigada pelo pai e pela madrasta a realizar tarefas pesadas na casa, pois, segundo o pai, ela só arruma a própria cama e lava a própria roupa. Não sabemos quem está mentindo, ainda que filhos de pais violentos tenham tendência a mentir, a fantasiar. Não sabemos se a menina é bem tratada nessa casa, nem se o pai é capaz de dialogar com a filha. Só sabemos que as pessoas estão cansadas e estressadas, de “pavio curto”. Só a neurose coletiva pode aplaudir para um pai neurótico que atira no laptop da filha.
E essa admiração pela violência é comum, afinal os filmes e as séries de TV criam ídolos violentos, homens que, em vez de falar, socam e espancam.
É só guardar o laptop, dizer que ela não usará até melhorar a sua conduta. Essa violência do pai não estará revelando uma violência maior? E por que precisa gravar um vídeo?  Nada disso é normal. O assunto é bizarro. Uma filha que talvez esteja mentindo e um pai punitivo. E a maioria aplaude um pai que atira no laptop. Esperemos que seja só no laptop, porque os Estados Unidos é recordista em atiradores malucos.
Só podemos agradecer a Deus por não ter um cretino desses como pai, nem vizinho que se comporta desse jeito. Eu não ficaria tranquila se soubesse que meu vizinho atirou no laptop da filha. Essa demonstração de força não estará revelando de outras violências? Será que os dois, pai e filha, não precisam de terapia? Ambos deveriam visitar um psicólogo e ver se dá para se entender fora da mídia. E sem armas.
Isabel Furini é escritor, poeta premiada e palestrante. Orienta a Oficina “Como Escrever Livros” no Solar do Rosário (41) 3225-6232.

O DINHEIRO NÃO TRAZ A FELICIDADE?


É muito interessante perceber que a maioria de nós muitas vezes fala frases impensadamente. Temos frases comuns que nos levam por caminhos que não pensamos, é comum dizer “matou por amor”, “o amor domina o mundo”, “ a honestidade é a melhor política”, “dinheiro não traz a felicidade” e outras.
Lamentavelmente nenhuma dessas afirmações resiste ao pente fino. Quando filtramos essas frases vemos que não se adaptam à realidade. A primeira já foi discutida por psicólogos. Ninguém mata por amor, em geral, quando uma pessoa ciumenta mata a sua namorada, ou namorado, falamos “matou por amor”, mas a causa não é o amor, é o ciúme.

Outra frase que leva a discussões é dizer que “o amor domina o mundo”. Será? No mundo, seja empresarial, social, político, quem domina é o jogo (ou joguinho) de poder. Um quer mostrar que é superior ao outro, ou um quer dominar o outro ou usar o outro como degrau para subir mais alto. Existe amor nas relações internacionais? Entre sérvios e bósnios?  Entre árabes e judeus? Entre ateus e crentes? Entre ricos e pobres? Os Estados Unidos “ama” e protege os países subdesenvolvidos ou aproveita para sugar as riquezas naturais? Às vezes é difícil entender o porquê dessa frase romântica: o amor domina o mundo. Se o amor dominasse mesmo, este mundo seria quase um paraíso.

Eu também pensei durante muito tempo que a honestidade era a melhor política – e como criei inimigos por essa minha compulsão à honestidade. Uma vez uma aluna me disse que em uma festa um bêbado brindou à memória do pai morto fazia pouco tempo e disse: “Obrigado, papai, graças a você eu sou bom. Obrigado, papai, graças a você eu sou autêntico. Obrigado, papai, graças a você eu sou honesto, muito honesto. Obrigado, papai, graças a você eu sou pobre...”.

E sobre o “dinheiro não traz a felicidade”, ele sozinho não traz felicidade, não, mas sem ele ninguém é feliz. Se você precisar ir a um médico, a um dentista, viajar, comprar uma casa, ir ao teatro, comprar um livro, de um computador e não tiver dinheiro, imediatamente pensará que o dinheiro não é tudo, mas que ajuda muito. É uma das condições para ser feliz. Como disse aquele piadista, “não é que eu goste do dinheiro, é que ele me acalma os nervos”.

Mas essas frases feitas as pessoas repetem, até fica bonito dizer que o “dinheiro não traz a felicidade”, ou que o “amor domina o mundo”. Um amigo que gosta de luzir-se dizendo que seus filhos só usam tênis das melhores marcas, que custam em torno de R$ 1.000,00, que vão às melhores escolas e fazem esporte em bons clubes, etc., fecha sua fala dizendo: o dinheiro não traz a felicidade. Em uma reunião um rapaz exclamou: “A quem quer enganar, seu mané?”.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Interação - Exposição de Artes Plásticas




INTERAÇÃO 
EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS

A exposição interação que é mais uma proposta do grupo 100 fronteiras com o objetivo de fortalecer a produção e apresentação artística, estimular a reflexão e o pensamento crítico.
A cada apresentação o diálogo surge como um novo fôlego para as Artes visuais movimentando o setor fazendo ressurgir antigas ideias entrelaçadas com novas ações.

Artistas plásticos.
Adalberto, Adão Mestriner, Alexandre Bozza, Alvaro Azzan, Alvaro Doudek, Ana Kath, Ana Nisio, Carlos Zamek, Celia Dunker, Clarice Barbosa, Cleonice Sl Kozievitcch, Cristina Daher, Daacruz, Di Magalhães, Dina de Sousa, Dirce Polli, Doniê, Edilma Rocha, Elisabeth Lopes, Evanir Plaszewski, Félix Wojciechowski, Glaura Barbosa Pinto, Hector Consani, Ivani da silva, Ivone Rabelo, João Abreu, Katia Velo, Kim Molinero, Kronland, Lisete Steinstrasser, Maris Trevisan, Miquelina Ribeiro, Neiva Passuello, Ninon Braga, Noemi Cavanha, R. Lima, Rafael Rocha, Regina Tiscoski, Renato Pratini, Rita M. Lessa, Rogerio Bin, Rosalia Valente dos Santos, Rosangela Scheithauer, Sandoval Tiurcio, Teresa Martins, Ubiratan Lima, Vanice Ferreira, Vera Garcia, Vera M. P. de Freitas, Vildete Pesssutto.

Participação especial.
Amilcar Fernandes da Silva. Escritor/poeta
Emílio Boschilia. Artista gráfico/Pintor/fotografo.
As fotos de Emílio Boschila retratam a vida e a paisagem da pequena vila, localizada na fronteira entre Portugal e Espanha.

Escritores
Isabel Furini, Renato Pratini, Sandoval Tiburcio/Romancista e Vanice Ferreira.


ABERTURA: 10 de Agosto as 20hs

Visitação: 10 a 31 de Agosto


Local: Sociedade Portuguesa 1 de Dezembro,
Rua Pedro Ivo, 462, Centro, Curitiba , Paraná, Brasil


Curadoria: Jô Oliveira e Valderez Cachuba
Colaboração: Carlos Zemek

http://artessemfronteiras.blogspot.com/
artes100fronteiras@gmail.com
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