sábado, 20 de julho de 2013

AGENTE SECRETO OU TRAFICANTE??? (Crônica)

O vendedor bonitão dizia “eu sobrevivo dos seios das mulheres”. E era verdade, vendia sutiã. O rapaz inteligente dizia que era garoto de programas... de programas de computador... esclarecia.

Mas um dos casos mais interessantes que escutei foi contado por Janice. Janice conheceu Bento em um barzinho. Ela é secretária e perguntou qual era o trabalho dele. Bento só respondeu: eu faço o trabalho sujo, alguém tem que fazer.

Janice ficou impactada com a resposta e pelos músculos do rapaz. Saíram várias vezes. Ele sempre levava uma mala preta, pequena, de couro e Janice se perguntava que tipo de arma levaria lá dentro. Seria agente secreto ou traficante?

Janice convidou-o a jantar na sua casa. Entraram e Janice apresentou sua mãe. Dona Laurita, encabulada, desculpou-se dizendo que só havia feito um lanche, pois estava esperando o rapaz da desentupidora. Banheiro entupido é uma tristeza – lamentou-se.

Bento, com um sorriso triunfal, abriu sua maleta preta de couro, tirou luvas compridas de borracha e, colocando-as, falou: Não se preocupe, senhora, pois eu já falei para sua filha, eu faço o trabalho sujo. E desentupiu o banheiro.
Isabel Furini é escritora, palestrante e educadora - 

e-mai: isabelfurini@hotmail.com

O PADRE OU O PAI? (Crônica)

            Meu amigo Orlando, que também é argentino e professor, mora em São Paulo onde ministra cursos e palestras. Uma noite, estava ministrando uma palestra e bem na primeira fileira estava sentado um senhor de gravata preta com uma figura enorme de Mickey Mouse em amarelo, que dormitava e havia deixado cair a cabeça de lado. Quando o orador levantava a voz, o homem abria os olhos trabalhosamente e voltava a fechá-los.
            Meu amigo ficou nervoso e, ao falar a biografia de Freud, errou e disse duas vezes “o padre de Freud”, em vez de “o pai de Freud”. Acontece que em espanhol a palavra “padre” tem dois sentidos: de pai e de pároco de igreja. Depois de dizer o padre de Freud pela terceira vez, o homem da primeira fileira abriu os olhos e empertigou-se, meu amigo continuou, mas o homem interrompeu a palestra exclamando: Minha nossa! Isso quer dizer que Freud era filho de um padre? Mas que história interessante! Conte mais, professor.
            Orlando, rindo, desculpou-se, pois havia errado. Esclareceu que a família de Freud era de origem judaica, mas para ele foi muito divertido perceber que o homem havia acordado e ficado atento ao resto da palestra.
Isabel Furini é escritora e poeta premiada - e-mail: isabelfurini@hotmail.com

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Você tem PRECONCEITOS???

Estamos na época em que as pessoas estão tomando consciência de que preconceitos ofendem os outros e não têm fundamento. Muito destrutivo é o preconceito racial. Essa postura absurda de medir as pessoas pela cor da pele.

Outro preconceito é que ser gay é pecado ou doença. A escolha sexual, como a escolha política, religiosa ou profissional, é um direito. As paradas gays, filmes e novelas ajudam as pessoas a diminuir o preconceito.

Existem outros preconceitos menos visíveis, por exemplo, o preconceito contra ateus. O apresentador Datena exteriorizou em um programa de TV, há alguns anos, o seu preconceito, dizendo que “ateus são pessoas sem limites, por isso matam, cometem essas atrocidades”. Mas temos exemplos de pessoas que frequentam igrejas e cometem crimes como, por exemplo, Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o seu marido, o dono da Yoki. Muitos fanáticos religiosos também matam em nome de Deus. Ninguém é assassino só por ser ateu, como ninguém é santo só por frequentar uma igreja.

Outro preconceito presente na sociedade contemporânea é contra pessoas obesas. Obesidade é vista como sinônimo de vida não saudável. Uma vizinha que é professora foi chamada pela diretora da escola para falar sobre “o excesso de peso, pois não é saudável”. A professora perguntou-lhe: “Será que os magros não morrem? Só morremos os gordos?”.

O importante é entender que os preconceitos discriminam pessoas, ofendem, ferem e prejudicam. Gays e héteros, gordos e magros, lindos e feios, ateus e religiosos, somos todos humanos. Simplesmente humanos.

Isabel Furini é escritora e orienta oficinas de escrita literária. e-mail: isabelfurini@hotmail.com

CARÊNCIA EMOCIONAL - Arma de dois gumes?

Quando qualquer discussão começa a tomar caminhos inesperados, não é raro alguma das partes dar o grito de guerra: “Você tem carência emocional”. É a frase pronunciada para demolir o adversário. Daí para frente ele perde terreno, às vezes perde o chão completo, enquanto que a pessoa que usa a frase pode se sentar sobre uma montanha de conforto. A luta já está ganha.

Não importa o que o outro fale, os argumentos dele são nulos. Quem pode dar ouvidos a alguém que fala porque tem carência emocional? A tática é utilizada não só para desqualificar argumentos, mas para desqualificar o argumentador. Uma forma cruel de vencer a luta. Mas é muito interessante porque essa frase de carência emocional no fundo atinge não digamos a todos, mas a maioria das pessoas.

Quem não tem uma carência emocional lá, no fundo, bem guardada? Quem é tão amado quanto quer? Quem é tão popular quanto sonha? Quem conseguiu, realmente, realizar todos os seus sonhos? Tem um amante? Fez cirurgia plástica?  Come demais? Está gordo? Sente-se velho? Tudo isso pode fazer parte da carência emocional. Quer ser famoso? Quer ser o melhor? Quer aplausos? A origem pode ser a mesma. Quer viver uma grande paixão, ser o dono da rua, ser admirado? Carência emocional também.

Reveste-se de milhares de formas. Da necessidade de sentir-se bonito ao desejo de triunfar profissionalmente, do sonho de ter um filho ao sonho de ser famoso em Hollywood. No fundo, o ser humano tem carência, porque o mundo é caleidoscópico, cheio de formas, cores, conteúdos e sonhos irrealizáveis.

Por isso, na próxima vez que em uma discussão alguém triunfante diga que você age desse jeito porque tem carência emocional, responda que ele deveria tirar a máscara de perfeição e olhar para dentro. E tenha certeza, se ele olhar descobrirá em alguma parte da sua mente a “carência emocional”. Afinal até Platão disse que o Amor, o incrível Amor, é filho do Recurso e da Carência. É só ficar sozinho, olhar-se no espelho da verdade e a carência emocional estará lá... gritando muito perto dos ouvidos.

Isabel Furini é escritora e poeta, e-mail: isabelfurini@hotmail.com,
Quadro do artista plástico Carlos Zemek.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ROSAS (Crônica)



Os anos passaram e o marido de Marisa parecia indiferente, já não mais morria de ciúmes. Até que um dia ele descobriu num canto da lavanderia, rosas vermelhas com um cartão: Amo você. Assinado: “Reginaldo”. Reginaldo? O vizinho? O vizinho está enviando flores para minha esposa? Cretino! João ficou desesperado.  Chegava cedo do trabalho e vasculhava os e-mails do computador buscando algum texto comprometedor.

Um dia encontrou o vizinho sentado no jardim, fumando. João avançou com o punho fechado.  O homem correu para sua casa, mas João, furioso, foi atrás dele. Reginaldo colocou a chave na fechadura, enquanto repetia: Você não entende... não é como você pensa, vizinho. João nem escutou e lhe deu vários socos no nariz.
            
A irmã de Marisa ligou preocupada: “Encontrei sua vizinha fofoqueira, a Ritinha, e ela falou que  seu marido pensa que você tem um amante.”

Marisa, feliz, confessou: “Querida, paguei R$1.000 ao vizinho maconheiro  para que mandasse flores, e mais R$ 2.000 para reconstruir o nariz dele, mas valeu cada centavo, querida.”

Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Contato: isabelfurini@hotmail.com


MINICONTO: Beleza?


- Estive no salão de beleza – fala a avó.  A neta olha fixamente a cara da sexagenária e grita: “Eles roubaram o seu dinheiro, vó... roubaram mesmo! 

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.

Vânia, a Vaidosa da Turma


            Existem vaidosos em todas as áreas. E como são chatos, não é verdade? Só falam de si mesmo e elogiam a própria obra sem  aceitar crítica nenhuma. Esse é o caso de Vânia,  que participou  de uma oficina de literatura, leu dois ou três livros sobre a Arte de Escrever e lá está ela sentindo-se uma estrela!    
O orientador da turma criticou-a. Uma aluna que participa da oficina e  gosta de discordar para mostrar que existe, lançou a frase fatal: “Ela tem o estilo de Prous". Vaninha parecia flutuar. Era isso!.. orgulhosa, dizia que era de linha proustiana”.  Interessante a afirmação, porque Vaninha nunca lera os livros de Proust.
            O tempo foi passando e a vaidade de Vaninha aumentou. “Eu utilizo o monólogo interior, a narração labiríntica, vejam o foco narrativo da segunda pessoa...  Um dia, um editor visitou a Oficina. Todos tiveram a oportunidade de ler um conto. O editor elogiou o esforço dos alunos e escolheu os contos de Talita para publicação.
            Vaninha sentiu-se ofendida. Eu escrevo igualzinho a Proust - esbravejou. O editor, é preciso dizer que havia lido a obra completa de Proust,  sarcástico, retrucou:
            - Moça, seus contos se parecem com os de Proust como uma azeitona se assemelha com uma melancia!
            Vaninha abandonou a oficina. Mas ainda escreve e segundo suas própria palavras: “até Proust foi rejeitado pelos editores de sua época... um gênio nunca é compreendido...”

Crônica de Isabel Furini - Contato: livrocoruja@yahoo.com.br
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