sábado, 11 de agosto de 2012

PAI “ASSASSINA” LAPTOP DA FILHA (crônica)



NOTÍCIA: Pai de adolescente norte-americana dá nove tiros no laptop dela por 'malcriação' pelo Facebook.


No início do vídeo podemos ver que, além do enorme chapéu, ele está fumando (bom exemplo para os filhos), e tomado de violência porque foi denunciado no Facebook, segundo ele, injustamente, dá nove tiros no laptop. Não duvidamos de que deva ter assustado a moça. Talvez uma advertência velada, a próxima vez vai na tua cabeça, filha. E ainda a maioria das pessoas “curtiu” e aplaudiu esse fato bizarro, essa prepotência do pai, essa violência desnecessária.
Talvez a menina mentiu ao dizer que foi obrigada pelo pai e pela madrasta a realizar tarefas pesadas na casa, pois, segundo o pai, ela só arruma a própria cama e lava a própria roupa. Não sabemos quem está mentindo, ainda que filhos de pais violentos tenham tendência a mentir, a fantasiar. Não sabemos se a menina é bem tratada nessa casa, nem se o pai é capaz de dialogar com a filha. Só sabemos que as pessoas estão cansadas e estressadas, de “pavio curto”. Só a neurose coletiva pode aplaudir para um pai neurótico que atira no laptop da filha.
E essa admiração pela violência é comum, afinal os filmes e as séries de TV criam ídolos violentos, homens que, em vez de falar, socam e espancam.
É só guardar o laptop, dizer que ela não usará até melhorar a sua conduta. Essa violência do pai não estará revelando uma violência maior? E por que precisa gravar um vídeo?  Nada disso é normal. O assunto é bizarro. Uma filha que talvez esteja mentindo e um pai punitivo. E a maioria aplaude um pai que atira no laptop. Esperemos que seja só no laptop, porque os Estados Unidos é recordista em atiradores malucos.
Só podemos agradecer a Deus por não ter um cretino desses como pai, nem vizinho que se comporta desse jeito. Eu não ficaria tranquila se soubesse que meu vizinho atirou no laptop da filha. Essa demonstração de força não estará revelando de outras violências? Será que os dois, pai e filha, não precisam de terapia? Ambos deveriam visitar um psicólogo e ver se dá para se entender fora da mídia. E sem armas.
Isabel Furini é escritor, poeta premiada e palestrante. Orienta a Oficina “Como Escrever Livros” no Solar do Rosário (41) 3225-6232.

O DINHEIRO NÃO TRAZ A FELICIDADE?


É muito interessante perceber que a maioria de nós muitas vezes fala frases impensadamente. Temos frases comuns que nos levam por caminhos que não pensamos, é comum dizer “matou por amor”, “o amor domina o mundo”, “ a honestidade é a melhor política”, “dinheiro não traz a felicidade” e outras.
Lamentavelmente nenhuma dessas afirmações resiste ao pente fino. Quando filtramos essas frases vemos que não se adaptam à realidade. A primeira já foi discutida por psicólogos. Ninguém mata por amor, em geral, quando uma pessoa ciumenta mata a sua namorada, ou namorado, falamos “matou por amor”, mas a causa não é o amor, é o ciúme.

Outra frase que leva a discussões é dizer que “o amor domina o mundo”. Será? No mundo, seja empresarial, social, político, quem domina é o jogo (ou joguinho) de poder. Um quer mostrar que é superior ao outro, ou um quer dominar o outro ou usar o outro como degrau para subir mais alto. Existe amor nas relações internacionais? Entre sérvios e bósnios?  Entre árabes e judeus? Entre ateus e crentes? Entre ricos e pobres? Os Estados Unidos “ama” e protege os países subdesenvolvidos ou aproveita para sugar as riquezas naturais? Às vezes é difícil entender o porquê dessa frase romântica: o amor domina o mundo. Se o amor dominasse mesmo, este mundo seria quase um paraíso.

Eu também pensei durante muito tempo que a honestidade era a melhor política – e como criei inimigos por essa minha compulsão à honestidade. Uma vez uma aluna me disse que em uma festa um bêbado brindou à memória do pai morto fazia pouco tempo e disse: “Obrigado, papai, graças a você eu sou bom. Obrigado, papai, graças a você eu sou autêntico. Obrigado, papai, graças a você eu sou honesto, muito honesto. Obrigado, papai, graças a você eu sou pobre...”.

E sobre o “dinheiro não traz a felicidade”, ele sozinho não traz felicidade, não, mas sem ele ninguém é feliz. Se você precisar ir a um médico, a um dentista, viajar, comprar uma casa, ir ao teatro, comprar um livro, de um computador e não tiver dinheiro, imediatamente pensará que o dinheiro não é tudo, mas que ajuda muito. É uma das condições para ser feliz. Como disse aquele piadista, “não é que eu goste do dinheiro, é que ele me acalma os nervos”.

Mas essas frases feitas as pessoas repetem, até fica bonito dizer que o “dinheiro não traz a felicidade”, ou que o “amor domina o mundo”. Um amigo que gosta de luzir-se dizendo que seus filhos só usam tênis das melhores marcas, que custam em torno de R$ 1.000,00, que vão às melhores escolas e fazem esporte em bons clubes, etc., fecha sua fala dizendo: o dinheiro não traz a felicidade. Em uma reunião um rapaz exclamou: “A quem quer enganar, seu mané?”.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Interação - Exposição de Artes Plásticas




INTERAÇÃO 
EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS

A exposição interação que é mais uma proposta do grupo 100 fronteiras com o objetivo de fortalecer a produção e apresentação artística, estimular a reflexão e o pensamento crítico.
A cada apresentação o diálogo surge como um novo fôlego para as Artes visuais movimentando o setor fazendo ressurgir antigas ideias entrelaçadas com novas ações.

Artistas plásticos.
Adalberto, Adão Mestriner, Alexandre Bozza, Alvaro Azzan, Alvaro Doudek, Ana Kath, Ana Nisio, Carlos Zamek, Celia Dunker, Clarice Barbosa, Cleonice Sl Kozievitcch, Cristina Daher, Daacruz, Di Magalhães, Dina de Sousa, Dirce Polli, Doniê, Edilma Rocha, Elisabeth Lopes, Evanir Plaszewski, Félix Wojciechowski, Glaura Barbosa Pinto, Hector Consani, Ivani da silva, Ivone Rabelo, João Abreu, Katia Velo, Kim Molinero, Kronland, Lisete Steinstrasser, Maris Trevisan, Miquelina Ribeiro, Neiva Passuello, Ninon Braga, Noemi Cavanha, R. Lima, Rafael Rocha, Regina Tiscoski, Renato Pratini, Rita M. Lessa, Rogerio Bin, Rosalia Valente dos Santos, Rosangela Scheithauer, Sandoval Tiurcio, Teresa Martins, Ubiratan Lima, Vanice Ferreira, Vera Garcia, Vera M. P. de Freitas, Vildete Pesssutto.

Participação especial.
Amilcar Fernandes da Silva. Escritor/poeta
Emílio Boschilia. Artista gráfico/Pintor/fotografo.
As fotos de Emílio Boschila retratam a vida e a paisagem da pequena vila, localizada na fronteira entre Portugal e Espanha.

Escritores
Isabel Furini, Renato Pratini, Sandoval Tiburcio/Romancista e Vanice Ferreira.


ABERTURA: 10 de Agosto as 20hs

Visitação: 10 a 31 de Agosto


Local: Sociedade Portuguesa 1 de Dezembro,
Rua Pedro Ivo, 462, Centro, Curitiba , Paraná, Brasil


Curadoria: Jô Oliveira e Valderez Cachuba
Colaboração: Carlos Zemek

http://artessemfronteiras.blogspot.com/
artes100fronteiras@gmail.com

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

HUMMM..... (Crônica)


A mulher entrou no estudo do fotógrafo. Foram quase 50 minutos de virar a cabeça para um e outro
 lado, de sorrir e parar com os sorrisos, enquanto o fotógrafo enfocava a câmera, acendia e desligava luzes, 
se aproximava e se afastava. Por fim, o homem ficou satisfeito com seu trabalho.  Foi até o computador que 
estava em um canto da sala e mostrou, feliz, a fotografia artística.
- Veja a luz, senhora, ficou perfeita desse ângulo, e a textura...
–  Hummm...
–  Hummm???
– Hummmm....  não sei não.   Estou iniciando um Blog e vou colocar essa fotografia destacada junto com 
meus poemas. E esse retrato não sei, não, ficou feio.  Não dá para passar esse retrato pelo fotoshop para 
que fique mais bonito?
O fotógrafo observou o retrato no computador, fitou a mulher e pensou: esse retrato é cópia fiel do rosto 
desta coroa.
– Gostaria que caprichasse mais, continuou a poetisa, veja de tirar essa mancha do lado esquerdo da testa 
e  essas rugas.  Ah!... também procure  acentuar a cor dos olhos, definir mais as sobrancelhas, diminuir 
o tamanho do  nariz, e gostaria que os lábios ficassem mais carnudos e sensuais e...
            – Um momento! – interrompeu-a o fotógrafo.  A senhora não prefere colocar no blog uma foto 

da Sandra Bullock com seu nome embaixo?



Coluna da escritora e palestrante Isabel Furini. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A FESTA (Conto)


Olhou ao redor. Sua visão parecia turva. Ouvia as vozes dos convidados em matizes cinzentos.  As vozes cada vez mais e mais longínquas. A orquestra tocava música de Ray Conniff.  A mulher loira de cabelos encaracolados que caíam sobre os ombros e ressaltavam sobre o vestido preto, longo, com um laço bordado na cintura, olhava para ela. Essa é a filha do dono, murmurou João. A mulher aproximou-se deles, mas virou a cabeça e só cumprimentou com elegância o casal de velhos que estava do lado direito, com os olhos fixos no quadro de Portinari.

–  Como Portinari soube exprimir a subjetividade do homem!- exclamou o velho.
–  Meu avô foi amigo de Portinari... declarou  a mulher loira que era a rainha da festa. Um homem elegante, de cabelos grisalhos, aproximou-se, segurando um copo de uísque.
– Querida, a esposa do doutor  Sargado perguntou por você.
–  Com licença – falaram os dois em coro.

A orquestra iniciava um blue. Ela viu a filha do dono aproximar-se de uma mulher com vestido de renda verde escuro e uma jóia enorme pendurada do pescoço. Deve valer uma fortuna, pensou.

E ela ficou ali, sem ar, perto da porta, os olhos turvos e uma vontade de chorar. Havia percorrido todos os brechós da cidade – compre um vestido mais ousado, você parece uma velha, havia falado sua filha Carolina. E ela, para sentir-se jovem, havia escolhido um vestido de uma cor muito chamativa, entre o rosa choque e o roxo, ombros descobertos e brincos enormes – a vendedora disse que estavam na moda.

Mas ao entrar no amplo salão do clube viu que só imperavam cores escuras. As jóias brilhavam entre vestidos pretos, verde-escuros, cinza e prata. A anfitriã vestia uma saia preta, longa, de tafetá e uma blusa bordada.
João, murmurou – eu sou a única com um vestido rosa choque, comprado em um brechó!
– Nem se preocupe, você está bem...

Ela teve vontade de chorar. Olhou em silêncio para seu marido, o paletó marrom escuro, barato, não se parecia em nada com os que ostentavam os outros convidados. Fitou novamente seu marido. Parecia tão mal vestido ao lado desses esnobes elegantes. E ela com uma cor berrante. Somos dois palhaços, pensou.
De repente, a música parou. Alguém importante da firma subiu ao palco e começou um discurso. Ao terminar o discurso, vamos embora, murmurou ela, bem perto do ouvido de João.

Olharam-se e,  em cumplicidade, caminharam a passinhos leves para a porta de entrada que estava aberta.
O orador terminou o discurso e a sala vibrou de tantos aplausos.

Mais um discurso.  O casal entreolhou-se. Ambos sorriram e continuaram a mexer-se devagar e silentes como assassinos em filmes de mistério, até chegar à porta. Só ao sair ela respirou fundo.  Caminharam abraçados entre o jardim e os carros. Passaram pelo portão e avançaram pela rua bem iluminada.  Fazia tanto tempo que não se abraçavam. Caminharam unidos por ruas desertas.

– Vamos pegar um táxi? –  perguntou ele.
– Se você quer...
– A próxima quadra é uma avenida, deve ter um...
– E vamos chegar a tempo para assistir a um filme.
– Você pode fazer pipocas no microondas. Assistir a um filme comendo pipocas é o melhor da vida, não é?
– É sim, é – disse ela com voz entrecortada, passando a língua pelos lábios para enxugar uma lágrima.


ISABEL FURINI é escritora e poeta premiada.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

LIVRO BOM, LIVRO RUIM


Na oficina Como escrever um livro, que oriento há muitos anos, houve uma discussão quando uma aluna disse: Comecei a ler o Senhor dos Anéis, um livro muito mal escrito. Um colega contra-argumentou: Eu gostei do livro. Se você não gostou, é um problema seu, isso não quer dizer que não seja um bom livro, só que não agrada a todos os leitores.

E eu tive que desafiar o grupo com uma pergunta:
- Será que existe um livro que agrada a todos os leitores?

Uma senhora respondeu: - A Bíblia.
Um rapaz retrucou: - Será que ateus gostam de ler a Bíblia? (Risos)
Alguém disse: - Machado de Assis.
Apoiou um senhor idoso: - Isso mesmo.
Um aluno não esteve de acordo: - Minha tia não gosta de Machado de Assis, porque uma professora obrigou-a a ler O Alienista no colegial, na época que havia colegial...

- E os Lusíadas de Camões?
Silêncio na sala. Por fim, um rapaz disse: - Será que todos leram Os Lusíadas? Eu nunca vi esse livro na lista dos mais vendidos. E será que todos aqueles que leram apreciaram o livro? Ou alguns têm medo de falar que não gostaram e de parecer burros?

A discussão continuou por algum tempo. Por fim, eles mesmos chegaram à conclusão de que existe um livro aceito por todos os leitores. Existem livros aceitos pela maioria dos leitores, os best-sellers. Existem livros aceitos pela maioria dos intelectuais, em geral, livros que ganham prêmios importantes. Mas sonhar que um livro será apreciado e aplaudido por todos os leitores é algo muito difícil de acontecer. Talvez impossível em um país livre. Cada cabeça é um universo. Tem suas nuances. Sua história pessoal. Seu olhar único.
É tão fácil criticar o trabalho de outrem e tão difícil criar e realizar uma obra de arte que o aforismo fala “a crítica é fácil, a arte, difícil”. É assim mesmo, ver o erro no trabalho dos outros não leva muito tempo, por exemplo, observar um quadro e criticar pode levar questão de minutos.

Ler um texto e sentir desagrado também não leva muito tempo, em geral depende da dimensão do texto a ser lido. E, às vezes, nem isso. O leitor começa o texto e nem dá chances... já forma uma opinião ao focar as primeiras frases. E é muito interessante que a maioria das pessoas não fala: eu gostei, ou eu não gostei do texto, ela afirma: “está muito bem escrito”, “está mal escrito”, ou pior ainda, “esse é um bom escritor”, “esse escritor é ruim”, como se umas poucas frases fossem suficientes para julgar a obra completa de um autor.

“Eu não gostei desse livro” é uma frase honesta. “Esse livro é ruim” é uma frase fruto da arrogância, que tenta mostrar que a opinião dessa pessoa tem valor universal. Parece que ela está gritando: “Ei! Não leiam esse livro! Eu não gostei e ninguém deve gostar dele. Eu já falei, esse livro é ruim. Escutem meu recado”.

É comum em concursos literários haver pessoas insatisfeitas, aqueles que não ganharam, logicamente. Algumas dessas pessoas, ao conhecer os poemas ganhadores, enviam e-mails dizendo: “O poema que ganhou o primeiro lugar não é bom”. E não adianta. O poema precisa ser bom para os jurados. Às vezes eu também não fico contente com um trabalho que conquista o primeiro lugar, mas fico em silêncio pensando que cada ser humano tem vivências e ideias diferentes e que é preciso aprender a respeitar a escolha dos outros.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de “,,, E OUTROS SILÊNCIOS” que será lançado em 08 de julho/12, 11 horas, no auditório do Solar do Rosário, Largo da Ordem. Entrada franca.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

SOMBRAS (Conto)



Eduarda levanta a espada e as sombras retrocedem.

Ela desce um pouco a espada até ficar horizontal em relação a seu próprio ombro. Só isso e as sombras pulam do mostrador dispostas a atacá-la.

Encaram-na. Eduarda, outra vez, aponta a espada para o lugar do coração da sombra maior (a sombra rainha). A sombra rapidamente pula e se esconde no chapéu de feltro do homem de bigode, que está sozinho, sentado à mesa do canto direito diante de uma garrafa de cerveja olhando ao redor em busca de um amigo. O homem mexe um pouco a cabeça, o chapéu fica de lado e a sombra aproveita para entrar. Eduarda a persegue. O homem e o chapéu mudam de mesa. O homem cumprimenta um senhor obeso da mesa junto à janela. As sombras barrigudas rodeiam o gordo, mas ele não se importa, nem nota.

Eduarda avança. Lutar contra sombras é sempre uma tarefa perigosa e desgastante. Sombras são fortes, escondem-se na luz e fortalecem-se na escuridão. Sombras são seres sem dimensão, podem esconder-se em qualquer lugar. Atrás do chapéu, na etiqueta de uma garrafa, na asa da xícara de café, na borda da mesa. Sombras são poderosas e sapecas, como crianças mimadas, dispostas sempre a fazer seus gostos.

O tempo passou e Eduarda continua na tarefa de lutar. As sombras se multiplicam, mas Eduarda resiste firme. Os homens continuam a beber. Os dias sucedem as noites e vice-versa. O mundo rodopia numa máquina de ilusões guiada por uma grande bola dourada chamada Sol.

Eduarda tenta dar uma estocada mortal em uma sombra que procurava esconder-se na borda do copo de cachaça e consegue. A cachaça é amiga das sombras, esconde-as para que os homens não as vejam.

Eduarda persegue a sombra barriguda. Amigos invisíveis a ajudam, alguns atacam as sombras curvas, outros, as sombras retas e outros ainda, as sombras magras. Nessa noite, Eduarda decidiu perseguir a sombra barriguda quando o dono do bar aproximou-se com um copo dizendo: Olhe, velha louca, é para você. Descanse e beba.

Nesse momento Eduarda abriu os olhos, já havia rugas nos cantos dos olhos, nas bochechas, perto dos lábios. Rugas e mais rugas... E não havia conseguido nada, absolutamente nada. As sombras continuavam sendo sombras, brincavam nas paredes, riam do pranto dos bêbados, escondiam-se em botões, chapéus e cadarços de sapatos. Os homens bebiam no bar por diversão ou para esquecer os problemas. Alguns falavam. Outros estavam silenciosos. Alguns jogavam sinuca. Outros observavam, mas ninguém percebia o poder das sombras.

Eduarda pegou o copo de vinho e bebeu lentamente.

Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Contato: isabelfurini@hotmail.com



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